ABATEDOURO BRASIL

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  Roma. Próximo de 68 a.C.  Ao adentar a arena para uma luta mortal, os gladiadores saudavam o Imperador: “Ave, Caesar morituri te salutant”.Em tradução livre do Latim: Ó, Cesar, os que vão morrer te saúdam.

  Carandiru. 1992 d.C.  111 mortes, muitos com tiros na nuca. Não sei por quê, mas tenho alguma certeza de que o meu leitor não terminará de ler este artigo. As pessoas não se interessam mais pelo tema, que virou arroz-de-festa. O morticínio nos presídios {metástase de pus jogado na sociedade} inviabiliza a paz. Ninguém sai imune ou impune. Nem eu, nem você. Mais dia, menos dia, de distintos modos, vai sobrar para nós.   

  Maranhão. 2013 d.C.  Carnificina com 60 mortes. Números desastrosos, mostram a crueldade de um sistema prisional arruinado, de uma sociedade doente e da irresponsabilidade coletiva. Há pouco mais de 400 mil vagas para um infame número de quase 800 mil detentos.  Impossível continuarmos assim, mesmo sabendo que o capitão-presidente afirmou com sua grotesca sabedoria: “prisão é como coração de mãe, sempre cabe mais um”. Confunde o local, com abatedouros…

  Manaus. 2017 d.C.  50 mortos em fúnebre motim. Tudo acontece sob um olhar suave das autoridades; não só delas, mas sob o meu olhar, o seu e o dos brasileiros. Não dá mais para fugir à responsabilidade!

  Manaus. 2019 d.C. 55 mortes ordenadas com requintes de fina crueldade. No Estado democrático moderno, as pessoas agem sempre politicamente, pelo menos ao exercerem, ou não, o voto. Portanto, somos politicamente responsáveis por tudo o que sucede. A culpa coletiva {uma culpa moral, tão importante quanto a cível} subsiste como responsabilidade política de cada cidadão. Assumi-la é uma tarefa árdua, pois vemos a desgraça, fomos avisados dela e ninguém mexe uma palha. Ninguém.  As ruas esperam por nós cidadãos, que nos escondemos em casa, à espera de uma pestilenta conta social que pesará nos nossos ombros ou no dos nossos filhos. Ninguém sai imune ou impune. Então?

   Ao invés de culpar só o Estado, hoje, é inegável que cada cidadão se assuma responsável ou corresponsável. Igual ao ocorrido com séculos de escravidão e com milhões de indígenas assassinados, nós, brasileiros, não nos acostumamos à questão da responsabilidade político-moral de cada cidadão. Daí, não surgirem em nós o menor sentimento de culpa e de remorso; na ausência destes sentimentos, a Psicanálise vê, aí, importantes e severos distúrbios psicopatológicos. Fato.

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