UMA NOVA DOENÇA, OS CELULARES

                        UMA NOVA DOENÇA, OS CELULARES

      Se deitado no divã de Freud, o celular exporia as dimensões da contradição e da ambivalência, tão próprias dos humanos e tão estudadas pelo pai da Psicanálise. O celular salva vidas, mas participa de assaltos e mortes; ganha eleições, porém de maneira pouco republicana; é objeto de desejo tanto da garotada, como de ladrões; articula movimentos sociais saudáveis, tanto quanto participa de ações de milicianos e assassinos.

       Tipo “Posto Ipiranga”, os celulares tomaram de assalto o mundo e se tornaram a mola propulsora de revolução dos costumes.  Há um retumbante fascínio por estes aparelhos que romperam com a noção mental de tempo e a de espaço: aquele, é gasto com idiotices e, neste, ‘viaja-se’ para qualquer lugar.     

      Crianças e adolescentes não sabem lidar com “celulares”, ponto!

Sabem, isto sim, lidar só com “aparelhos”, porém não têm, ainda, habilidade ética ou moral para lidar com “celulares”. Daí o número incrível de casos de bullying, de possibilidades de assédio ou de risco iminente de exploração sexual em tenra idade, que correm desfreados pelo inconveniente “Whats”.  Longe de mim ser alarmista, mas estamos caminhando para o caos.

       Endeusamos a tecnologia, idolatramos o computador e, agora, divinizamos os celulares, a ponto de, digamos, pensar que não pode haver vida na Terra sem eles. De um modo ou de outro, os celulares viraram a cocaína permitida, com o mesmo poder viciante. Leram bem, viciante! Assim, emerge uma verdadeira perturbação psíquica advinda desta hiperconexão: a neurose obsessiva, uma espécie de cárcere mental. Sim, sobre obsessão, o velho Freud entende {e explica!} direitinho. 

       Nós, adultos, ainda, temos chance de escapar com saúde mental deste surto. Porém, crianças e jovens entrarão com cabeça, tronco e membros nas ulteriores epidemias decorrentes do uso indevido ou imerecido desta tecnologia predatória, a saber: solidão, egocentrismo, alienação. Alerta, pois.  

       Do zero aos doze anos, a Infância é um tempo sagrado! Leram bem, sagrado. Isto quer dizer que ela deve ser cuidada e protegida, no todo e nos detalhes. Para esse tempo, em espacial, os adultos foram chamados a educar.

      Tal sacralização impõe regras e imperativos e voz de comando e presença constante: até os dois anos crianças não podem sequer “conhecer” quaisquer telas; na Infância, não devem ganhar ou ter celulares, ponto! Se for o caso, o uso deve ser raríssimo, restrito e circunscrito. Depois dos doze, há que se ter horários preestabelecidos e a possibilidade de, com a mesada, pagarem a conta ou parte dela. Não existe almoço gratuito, lembra?         

       Enfim, dar quaisquer aparelhos aos filhos para fazerem o que desejarem, sem estimar as consequências, tudo só apertando botões, parecerá com o que acontece nas eleições de um certo País, que… não aprendeu a acioná-los!

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