DA GRIPEZINHA À TRAGÉDIA, VIVEMOS NO LIMITE

Covid-19: Brasil tem 391.222 casos confirmados e 24.512 mortes | Agência  Brasil

Escalar o monte Everest sem oxigênio extra foi uma situação-limite experienciada por poucos. Hoje, porém, todos nós “vivemos no limite”. No limite, pois, cada qual em seu quadrado, longe de amigos, de família e de abraços, experienciamos uma intolerável solidão nunca imaginada.

Vivemos no limite da saúde mental, amargurados, vendo emergirem em nós sentimentos complexos: medo, tristeza, angústia e preocupação; afora isso, há aumento do alcoolismo e os {consequentes} atentados físicos contra mulheres.

Vivemos no limite de convívio com gente que espalha terror, como em um vídeo de “notáveis” governantes, que mais pareciam fazer parte de uma quadrilha. Como é possível viver sob o nepotismo de pessoas grosseiras e sem cultura?

Vivemos no limite da fadiga ao ver o presidente narcisista denunciado ao Grupo G7, por ONGs internacionais, além de ter de responder pelo aumento de 88% de queimadas na Floresta Amazônica, no primeiro ano de seu mandato, segundo o INPE.

Vivemos no limite porque, do ponto de vista psicanalítico,   bem inconsciente, vejo termos medo do capitão, de seus filhos e de milícias. Isto faz com que diminuam em nós, não só a capacidade de indignação, como também os sentimentos de corresponsabilidade. Isto porque, no Estado moderno, não se permite a ninguém que se esquive, fingindo que crimes de responsabilidade são só de alguns insanos. São de todos nós também; certamente, espécie de cumplicidade! Ou nos sentimos corresponsáveis, assumindo nossa História e aumentando em nós a consciência da participação político-social, ou o Brasil será sempre um país grande e nunca um grande País…

Quando a poeira do vírus baixa, surge uma sociedade civil frágil e estupidamente desigual, emerge uma democracia ameaçada e governantes insensíveis. Estes incentivam o uso de armas e estimulam um ódio paranoico. Que pena!   

         Termino com Freud. Ele nos ajuda a compreender esta situação. Há 91 anos, em “Mal-Estar na Civilização”, já profetizava: “… são 3 as dimensões responsáveis pela nossa infelicidade, a saber: a prepotência da natureza, a fragilidade do nosso corpo e a desarmonia dos vínculos que regulam as relações na família e no Estado”.   E… não é que o velhinho tinha mesmo razão?

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